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14/08/2012 - 09h03

"O bom profissional não vai se subordinar à vida engessada das grandes empresas"

ANA MAGALHÃES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para o especialista em gestão César Souza, autor do livro "A Neoempresa: o Futuro da sua Carreira e dos Negócios no Mundo em Reconfiguração" (ed. Integrare, 253 páginas), as grandes empresas estão condenadas a só terem profissionais "mais ou menos" se não promoverem mudanças em seus sistemas de gestão. "A geração Y quer reconhecimento e meritocracia. Quer individualidade."

Divulgação
"O neoprofissional consegue equilibrar diferentes dimensões da vida", diz César Souza
"O neoprofissional consegue equilibrar diferentes dimensões da vida", diz César Souza

Para o especialista, essas práticas não estão presentes nas grandes companhias. A neoempresa, ou a empresa do futuro, segundo ele, precisa tratar os seus funcionários de maneira individualizada.

Folha - Em seu livro o senhor diz que "estamos dirigindo nossas empresas com o olho no retrovisor". O que isso quer dizer?
César Souza - Quem está no comando da maioria das empresas hoje têm ideias do século 19. A forma de pensar nas empresas continua antiquada. Elas treinam líderes para uma realidade que já não existe mais. A principal mensagem do livro é que as empresas estão condenadas a só terem pessoas mais ou menos porque os bons mesmo, os talentos, não vão se subordinar à vida engessada das grandes empresas. Estamos ensinando aos líderes coisas que funcionaram no passado mas que não funcionam mais.

Por exemplo?
O conceito de gerenciar os cargos e não as pessoas. Você é o gerente X, então tem os direitos e deveres de X. Não me interessa quem você é. Não misture suas emoções com sua profissão, seja profissional. Não é assim que as empresas funcionam ainda? Isso é uma visão do século passado. Os donos de empresas ficam falando sempre que está todo mundo no mesmo barco, mas não dizem para onde o barco está indo. As empresas não dão significado e causas para as pessoas, cobram apenas metas e resultados. Elas deveriam criar valores.

Como criar valor e significado?
Para os clientes, é preciso entender os seus desejos e aspirações. Para os trabalhadores, cria-se significado quando a empresa transcende o produto em si. É ter uma causa. Um cliente meu fabrica freios ferroviários. O dono da empresa diz que promove segurança e tranquilidade para 1 bilhão de pessoas que usam o serviço ferroviário diariamente no mundo. Isso é significado.

E como a neoempresa lida com seus funcionários?
Os líderes precisam oferecer causas e não apenas métodos e resultados. Os líderes precisam deixar claro o porquê das coisas, não basta apenas exigir sacrifícios. Nietzsche tem a frase "quando a gente sabe o porquê, a gente suporta o como". Tudo isso implica um respeito muito grande pelas pessoas. Deve-se tratar os profissionais como indivíduos e não como cargos. As empresas precisam customizar sua relação com os funcionários. As pessoas são diferentes e querem ser tratadas de maneira diferente, especialmente a geração Y. Reconhecimento é outra coisa que falta. A geração Y quer reconhecimento e meritocracia. Quer individualidade.

E do ponto de vista do funcionário? Quem é o neoprofissional?
Primeiro dever de casa: autoconhecimento. Você precisa saber quem você é e onde está a sua paixão. Se quer trabalhar em uma empresa, faça um estágio antes para ver se é aquilo mesmo. Hoje, os profissionais não podem mais falar em uma profissão, eles têm de ser multicarreira.

O que é ser multicarreira?
Eu sou consultor, palestrante e sou também autor, porque gosto de escrever. Não existe mais o tempo do "entreguei minha vida à empresa". O neoprofissional é multitudo, multicompetente. Quando você tem como escolher, você é o melhor naquilo que faz. Quando faz algo porque não tem alternativa, aí é complicado, não vai ser feliz. O neoprofissional busca uma convergência. É o racional e o emocional, o físico com o espiritual, o curto prazo com o longo prazo. Ele junta o tangível com o intangível, ele junta uma série de coisas. Esses são os craques. Mesmice não rima com criatividade.

Há espaço para esse neoprofissional no mercado?
Claro, as empresas estão sedentas por ele.

Essa pessoa vive para trabalhar?
O neoprofissional consegue equilibrar diferentes dimensões da vida. Ele compatibiliza as vidas profissional, familiar, comunitária e espiritual. Ele é um malabarista, ele cuida de várias dimensões ao mesmo tempo. Se você participa de um projeto comunitário uma vez por mês, aumenta o seu networking e isso acaba trazendo benefício para sua vida profissional. Se eu cuido da minha família, eu melhoro meu desenvolvimento profissional --não tem nada pior do que ir para o trabalho brigado com a mulher ou com filho. Quando você está culpado, você não produz. Se cuida da sua saúde, chega com o cérebro mais oxigenado e trabalha melhor. É o antigo profissional que só vive para o trabalho.

 

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