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01/12/2013 - 02h30

Empresas usam jogos e 'estrelinhas virtuais' para inflar autoestima de funcionários

FELIPE MAIA
EDITOR-ADJUNTO DE "CARREIRAS"

Empresas estão transformando atividades corriqueiras em jogos para expor quem atinge mais metas, colabora mais em projetos ou demonstra maior aprendizado em um treinamento. Trata-se de uma adaptação para o mercado de trabalho da tendência da "gamificação".

Esse tipo de estratégia já era usado para estimular consumidores a usar mais um produto ou serviço: o aplicativo de localização Foursquare dá o título de "prefeito" a quem mais avisa que está em um determinado local. E quem cumpre missões ganha emblemas.

No mundo corporativo, a empresa de tecnologia Oracle criou um sistema em que funcionários podem enviar "kudos", uma estrelinha virtual, a colegas com os quais gostaram de trabalhar ou que foram determinantes em um projeto. Dependendo da vontade do funcionário ou do cliente da Oracle, esse reconhecimento pode se tornar visível na organização.

Filipe Rocha/Editoria de Arte/Folhapress

"A vaidade é o elemento que faz com que as pessoas deixem públicos os 'cudos'", diz Charles Rosenburst, diretor da Oracle. "É um modo de se promover na organização."

No jogo "Wannadoo", criado pela empresa de tecnologia Opusphere, os funcionários, representados por avatares, podem premiar uns aos outros com elogios como "te admiro" ou "líder nato". A entrega das gratificações ocorre em um pub virtual dentro da zona industrial que é cenário do jogo.

A brincadeira é, a cada tarefa realizada, fechar uma caixa. Elas são enviadas para o gestor, que as aprova e as despacha em um caminhão. E servem como mostra do que o funcionário está fazendo.

Mario Herger, autor do livro "Gamification @ Work" (gamificação no trabalho), afirma que isso pode ser perigoso --ao ter muitos dados sobre as atividades dos funcionários, chefes podem cair na tentação de controlar todos os seus passos e tirar autonomia deles.

Outro perigo é estimular a competição. "Você pode desestimular as mulheres, que tendem a ser menos competitivas. E dar espaço demais a profissionais 'matadores', que são só 1% dos jogadores", diz (veja outros estilos de competidores ao lado).

Na maioria dos casos, esse tipo de disputa não leva a prêmios financeiros ou a presentes de alto valor. Os melhores colocados costumam receber prêmios de valor intangível, como ser convidado para almoçar com o presidente da empresa.

"A premiação mais importante é o reconhecimento público", afirma Francisco Rhodes Sérgio, vice-presidente da Exago, empresa portuguesa que desenvolve sistemas de colaboração entre funcionários, incluindo games.

De acordo com especialistas em jogos, associá-los a dinheiro pode fazer com que as pessoas se interessem pela atividade por pouco tempo. Ou mesmo trapaceiem.

Bruno Medina, gerente de criação da agência MJV e um dos autores do livro "Gamification, Inc.", diz que esse tipo de método precisa buscar "motivações intrínsecas".

"Pode ser obter conhecimento, ser reconhecido por um talento em que ele se destaca dos colegas ou algo que melhore seu bem-estar", diz.

BOLSA DE APOSTAS

Há empresas que mesclam as duas bonificações. O grupo de laboratórios médicos Fleury criou uma plataforma em que os funcionários podem dar ideias de melhorias em processos ou de produtos que tragam dinheiro novo à empresa.

Filipe Rocha/Editoria de Arte/Folhapress

Essas ideias são colocadas em uma espécie de Bolsa de Valores --se outras pessoas apostarem nelas, as ações sobem. Os créditos gerados nessa negociação são usados em leilões por produtos como ingressos de cinema.

Patrícia Maeda, gerente de inovação da empresa, diz que o objetivo de misturar reconhecimento e prêmios reais é atrair diferentes tipos de público.

"Tem gente que quer estar no ranking, que as pessoas saibam quem elas são, tem os que se motivam pelo leilão e os que querem ver a ideia implantada", afirma.

 

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