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15/01/2014 - 10h02

Grupos fazem campanha pelo uso de bermudas nos escritórios no Brasil

FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

"É o assanhamento" deste verão, diz a autora e consultora de moda Gloria Kalil, sobre o uso das bermudas no trabalho. Um grupo de três amigos do Rio de Janeiro resolveu fazer um site para incentivá-las e, segundo eles, está fazendo sucesso.

O publicitário Ricardo Rulière, 26, um dos que estão à frente da página, conta que o bermudasim.com.br nasceu em torno de uma conversa informal. A primeira ideia era criar um disparador de e-mail anônimo para pedir a um chefe que libere a vestimenta.

Divulgação
Ricardo Rulière (Bermuda azul), Vitor Damasceno (Camisa vermelha), Guilherme Anchieta (bermuda bege), do bermudasim
Ricardo Rulière (Bermuda azul), Vitor Damasceno (Camisa vermelha), Guilherme Anchieta (bermuda bege), do bermudasim

Do dia 8 de janeiro, quando o site foi ao ar, até esta terça-feira, foram 1.700 mensagens anônimas enviadas a chefes.

Os amigos também fizeram "mandamentos" sobre como usar bermuda no trabalho (por exemplo, "uniforme de time não é bermuda", "não é porque está de bermuda que pode usar regata" e "bermuda só a partir dos 29,8ºC").

O que motivou a criação da página foi o calor dos primeiros dias do ano. "Sofrer e suar é pior para o rendimento profissional, fica-se estressado e não se trabalha direito", diz Rulière.

VISUAL TROPICAL

Kalil concorda: "Faz sentido reivindicar uma roupa mais tropical. Homens usam essas roupas [ternos] porque é uma convenção. Não é lei. Se, quiserem, que criem nova convenção".

Ela diz que, para que o padrão mude, "precisamos que o nosso Steve Jobs se apresente de bermuda". "Não será um estilista que irá mudar a cabeça convencional dos brasileiros. Homem só obedece ao poder, não obedece às ideias."

Ou seja, a bermuda precisa de um ícone. "O Jorge Paulo Lemann [o homem mais rico do país] inaugurou a roupa casual para o mercado financeiro no Rio de Janeiro. E, hoje, um amigo meu diz que só quem usa terno no Rio é quem tem menos de R$ 1 milhão", diz a consultora.

A ideia ganhou força neste verão, mas ela não é assim tão nova. Há quatro anos o empresário de Brasília Fabricio Buzeto, 29, redigiu um "manifesto bermudista". Ele é dono de uma empresa que desenvolve softwares, e diz que já deu muito emprego a profissionais que, por causa da aparência, não teriam chances no mercado.

"No trabalho, muitas vezes, os profissionais são julgado por outras coisas que não a eficiência."

No escritório do Peixe Urbano, no Rio, também é a regra. Vitor Vander Vellden, 30, gerente de produtos, conta que nos dias mais quentes, todos os homens vão de bermuda. Os clientes e parceiros já sabem o que esperar, diz.

"A gente já trabalhou em prédios comerciais. Dá um pouco de dó ver os vizinhos de prédio de terno e gravata nesse calor."

Para o caso de a empresa liberar as pernas de fora para os homens no escritório, a consultora de moda diz que é preciso ficar atento ao calçado. "Evidentemente que uma bermuda pede sapato sem meia ou tênis com meia sem aparecer."

Ela indica sapatos mocassim ou "dockside".

 

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