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25/01/2015 - 02h00

Dólar alto ameaça benefício de curso para funcionários

FELIPE MAIA
EDITOR-ADJUNTO DE "CARREIRAS"

Para enfrentar a conjuntura cambial, a Universidade de Pittsburgh, que oferece em São Paulo um MBA Executivo, optou por trabalhar com sua própria cotação. Se a moeda americana ficar em até R$ 3, o curso –que tem o mesmo conteúdo do americano e fóruns em Praga e nos EUA– será cobrado a uma cotação de R$ 2,50; caso o dólar ultrapasse esse valor, haverá desconto de R$ 0,50. O programa custa US$ 56,5 mil.

Existe também o receio de que as empresas façam cortes no financiamento de cursos para funcionários. Cerca de 70% dos alunos de Pittsburgh no Brasil têm algum tipo de ajuda do empregador.

Karla Alcides, diretora do curso, diz que já houve redução nesse índice neste ano. "Há mais executivos pagando do próprio bolso."

André Faria Gomes, 28, que é sócio e diretor da empresa de tecnologia BlueSoft, diz que vem, desde o ano passado, calculando os custos do curso levando em conta o dólar a R$ 3. Assim, ele tem uma ideia melhor do que precisa economizar. A alta da moeda vai ser impactante, afirma, "Mas vou poder continuar".

O planejador financeiro Valter Police Junior sugere que os interessados façam investimentos atrelados à moeda americana, como fundos cambiais, ou comprem uma mesma determinada quantidade de dólares por mês. É possível carregar cartões de crédito pré-pagos com esses valores, ele ensina.

Karime Xavier/Folhapres
André Faria Gomes, que vai estudar na na Universidade de Pittsburgh
André Faria Gomes, que vai estudar na na Universidade de Pittsburgh

Apesar do cenário difícil, especialistas dizem que a tendência de internacionalização dos cursos de pós-graduação brasileiros deve se manter. "Existe um movimento de mandar estudantes para o exterior que acontece independentemente da economia", afirma Debora Foguel, pró-reitora de pós-graduação da UFRJ. Para ela, isso só muda se houver cortes de orçamento.

Jorge Guimarães, presidente da Capes, diz que a alta do dólar afeta o projeto orçamentário, mas que não estão previstas mudanças, porque o órgão reserva orçamento maior para "dar conta das incertezas econômicas".

Para Foguel, outro fator que pode atrapalhar a internacionalização é a recuperação econômica nos Estados Unidos e em países da Europa, o que pode reduzir a já restrita atratividade do Brasil para pesquisadores internacionais. Uma pesquisa publicada em 2012 pela revista científica "Nature" com 2.300 cientistas no mundo indicou que 12% deles se mudariam para o Brasil, contra 56% para os Estados Unidos ou 55% para o Reino Unido.

 

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