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24/07/2011 - 15h55

Deficiente graduado perde espaço

CAMILA MENDONÇA
DE SÃO PAULO

O número de pessoas com deficiência com ensino superior completo ou pós-graduação no mercado formal de trabalho caiu 28,2% nos últimos três anos. Entre profissionais de todas as escolaridades, a queda foi de 12,3%.

Em 2007, quando o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) começou a analisar esse mercado, 51.676 empregados tinham de graduação a doutorado. No ano passado, eles totalizavam 37.103.

A queda na absorção de profissionais com ensino superior completo ou pós ocorre apesar da reclamação constante das companhias da falta de qualificação dos trabalhadores para cumprir a Lei de Cotas.

A Lei nº 8.213 estabelece cotas de contratação de pessoas com deficiência desde 24 de julho de 1991. A fiscalização começou em 2005 e resultou, até junho deste ano, na contratação de 151.732 profissionais.

"Poucas empresas abrem vaga com alto grau de exigência", diz a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Teresa Costa d'Amaral.

Camila Isoldi Seabra, 33, que nasceu sem a perna direita e usa prótese, está desempregada há mais de dois anos. A profissional tem diploma de curso superior em psicologia e em pedagogia. "Por todo lugar que passei, é como se eu não tivesse credibilidade profissional", conta.

Com uma pós em direito tributário encaminhada, o advogado Breno Close D'Angelo de Carvalho, 40, conta que conseguia ocupações administrativas. Agora, ele tem o próprio escritório.

"Chegaram a me contratar como analista tributário, mesmo eu tendo deixado claro que não tinha conhecimentos contábeis." Resultado: foi demitido em 45 dias.

Carvalho é cadeirante desde 1999, quando reagiu a um assalto em São Paulo.

FORA DO MERCADO
Mesmo se fosse cumprida integralmente, a Lei de Cotas excluiria mais de 5 milhões de profissionais, concluiu o economista Vinícius Gaspar Garcia, em seu doutorado, defendido neste ano na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"A lei geraria cerca de 900 mil vagas por ano, mas temos 6 milhões de pessoas [com deficiência em idade ativa]." Entre profissionais aptos, 5% estão no mercado formal.

O secretário municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Marcos Belizário, diz que o baixo número de empregados mostra despreparo do mercado. "As empresas correm para cumprir a cota após a fiscalização", diz.

MAIORIA DAS VAGAS É PARA NÍVEL OPERACIONAL
Até 90% das vagas oferecidas por empresas de recrutamento e seleção especializadas em pessoas com deficiência exigem até ensino médio.

Na i.Social, por exemplo, 90% dos postos são operacionais. "Temos problemas para encontrar vagas para pessoas qualificadas", afirma o sócio-diretor Jaques Haber.

Na Plura Consultoria, metade das vagas são operacionais. O diretor da empresa Alex Vicintin afirma, contudo, que o mercado está começando a "pensar fora da caixa". Segundo ele, a mudança exige também uma nova atitude dos candidatos. "Muitos confundem direitos com regalias", considera.

"Esse mercado está mudando e está aquecido", diz Cláudio Tavares, sócio do site Deficiente Online, no qual 60% das vagas são para candidatos que têm de ensino médio a superior em curso. Na Incluir RH, 40% das vagas exigem até ensino médio.

Pós-graduado em projetos, Victor Rocha, 24, que tem braço esquerdo menor do que o direito, diz nunca ter encarado dificuldades na carreira. Hoje é sócio de empresa.

 

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