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30/10/2011 - 07h15

Tecnologia rouba vaga de trabalhadores qualificados

FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

Computadores mais ágeis, que executam tarefas "humanas", como reconhecer fala, podem tomar empregos de profissionais que eram pouco vulneráveis à automação.

Esse é o tema do livro "Race against the Machine" (competição contra as máquinas, em tradução livre), dos economistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) Erik Brynjolfsson e Andrew MacAfee, lançado na semana passada nos EUA.

A premissa é que máquinas podem roubar empregos que exigem mais qualificação, pois avanços tecnológicos ocorrem em intervalos cada vez menores. "Pensamos linearmente, mas computadores melhoram de forma exponencial", diz Brynjolfsson.

Na obra, há exemplos como o de softwares para o mercado financeiro, que substituem operadores da Bolsa.

Os trabalhos que correm risco são os que envolvem rotina "com instruções detalhadas e tarefas que podem ser automatizadas", afirma.

Wilson Amorim, professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, diz que, "quando um mercado de trabalho é destruído, outro é construído, e isso não deixou de acontecer".

Rafaela Martins/Folhapress
No restaurante Sushi Yuzu, pedidos dos clientes são feitos com tablets diretamente para a cozinha
No restaurante Sushi Yuzu, pedidos dos clientes são feitos com tablets diretamente para a cozinha

No restaurante Sushi Yuzu há 20 tablets no lugar dos cardápios. Clientes navegam pelo aparelho, tiram dúvidas sobre pratos e fazem pedidos diretamente para a cozinha.

"Temos dois garçons. Sem o tablet, precisaríamos de mais um, talvez dois", diz o dono, Juliano Mendes, 36.

Para o presidente do sindicato paulista de trabalhadores da categoria, Francisco Calasans Lacerda, 74, é bom que haja contato entre garçom e cliente: "No setor, o sucesso vem dos funcionários".

OPERADORES, ADVOGADOS E JORNALISTAS

Parte do trabalho dos advogados é aconselhar clientes a decidir se fazem acordos ou enfrentam processos na Justiça. Daniel Katz, professor de direito da Universidade Estadual do Michigan, nos EUA, trabalha em um software que tomará a decisão.

A ideia de Katz é construir um banco de dados com jurisprudência para calcular a chance de ganho de causa em uma ação judicial.

O computador tem habilidade para observar um número de eventos que nenhum humano teria, segundo ele. "A prática da advocacia deve mudar devido ao impacto dessa novidade", afirma.

O sistema, porém, não impressiona Augusto Marcacine, 46, presidente da Comissão de Sociedade Digital da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil). "Isso está mais para o campo da pirotecnia."

Katz relata que existe precedente de mudança como essa no mercado financeiro. Na Bolsa de Nova York, mais da metade das operações são feitas por computadores, diz.

"Afirmava-se que não seria possível trocar a intuição por uma máquina, mas isso já aconteceu", reitera Katz.

SEM EMOÇÃO

A empresa paulista BLK desenvolve softwares para programar decisões de investimentos nos mercados de valores e no de futuros.

Letícia Moreira/Folhapress
Rogerio Paiva, diretor da BLK Sistemas Financeiros, desenvolve o Robotrader
Rogerio Paiva, diretor da BLK Sistemas Financeiros, desenvolve o Robotrader

Rogério Paiva, 36, sócio e diretor da empresa, lista as vantagens: "Computador não almoça e não tem emoção".

Ele diz que operadores de mercado financeiro podem se empolgar com um ganho de uma ação e continuar com ela -mesmo havendo riscos.

O algoritmo é programado para "sair" da ação em um determinado ponto.

O agente financeiro Ronaldo Nobre, 68, diz que o robô "é ágil, mas não quer dizer que seja mais eficiente".

Para Paiva, não se pode dizer que a profissão de operador acabará. "Ele tem que aperfeiçoar-se, não dá para ficar voltado para um nicho."

O americano Robbie Allen concorda, apesar de falar de uma profissão bem distinta -a de jornalista. Ele é dono da Automated Insights, empresa que criou um robô-repórter, software que interpreta estatísticas e "casa" números com textos prontos.

Por enquanto, são feitas reportagens sobre beisebol. A companhia desenvolve geradores para notícias financeiras, do mercado imobiliário e de previsão do tempo.

Para Allen, o ideal é uma combinação de máquina com gente. "Coisas intangíveis, em relação aos sentidos, histórias urgentes e rumores não são captados por dados. Essas coisas são melhores para humanos. Por enquanto.''

 

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