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22/01/2012 - 07h13

Lojistas têm oportunidade em shoppings temáticos

PATRÍCIA BASILIO
DE SÃO PAULO

Os shoppings segmentados, cuja maioria das lojas se concentra em um segmento -como moda ou decoração-, estão na mira dos centros de compras mais tradicionais no Brasil.
O modelo, nascido nos EUA, está nos planos do União Osasco, em São Paulo, que planeja construir unidade moveleira ao seu lado.

Polos que não contam com espaço físico suficiente para uma nova unidade têm investido na construção de anexos, como os cariocas Norte Shopping e West Shopping, que terão neste ano área exclusiva para lojistas de serviços.

Além disso, três outlets de roupas serão lançados até 2013, segundo a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers): um em Brasília e dois em São Paulo.

Gabo Morales/Folhapress
Os lojistas Amy Abrarour e Luiz Bianchi, em SP
Kamyar Abrarpour e Luiz Bianchi, em shopping de decoração

"Os shoppings não querem ficar de fora [do crescimento dos centros temáticos] e, por isso, abrem unidade independente ou criam anexos para as lojas segmentadas", afirma o diretor de relações institucionais da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Luís da Silva.

Há hoje no país 87 shoppings temáticos, como os de móveis, carros e roupas. Deles, 42,5% estão no Estado de São Paulo, segundo a Alshop.

MOTIVAÇÃO
Lado a lado com os concorrentes, pequenos varejistas encontram nesses locais uma forma de atingir o público-alvo de forma mais certeira. Ainda que muitos contem com algum tipo de lazer, como cinema, esses polos atraem consumidor disposto a fazer compras direcionadas.

Outro chamariz é a redução no gasto com o ponto comercial. Em centros segmentados, o aluguel é até 30% menor do que o cobrado por shoppings tradicionais.

Abrir loja em shopping de decoração sempre esteve nos planos dos colegas Luiz Bianchi, 36, dono da Interbagno, de artigos para banheiro, e Kamyar Abrarpour, 52, da By Kamy, fabricante de tapetes. Mas a experiência de ambos com o modelo tem altos e baixos.

Após se conhecerem em uma associação de decoradores, eles abriram em 2001 unidades das marcas no Shopping D&D, em São Paulo. No ano seguinte, montaram filiais em centro no Rio.

Enquanto as lojas paulistanas vivenciam expansão, as cariocas fecharam as portas cinco anos depois. "Não tínhamos estoque suficiente para manter o estabelecimento e bancar o alto valor do aluguel", explica Abrarpour, que calcula ter somado prejuízo de R$ 200 mil.

Para Bianchi, o mau desempenho financeiro do shopping foi fator determinante para o fim das lojas. Ele não revela o valor do investimento perdido. Meses depois de o centro carioca fechar, o espaço deu lugar a um shopping de moda.

Gabo Morales/Folhapress
Diego Junqueira em carro vendido na loja que gerencia
Diego Junqueira em carro vendido na loja que gerencia, em SP

No caso de falência, os lojistas devem ser informados previamente, aponta o advogado Daniel Cerveira. Contudo, é possível entrar com ação judicial e solicitar indenização pela rescisão do contrato.

Fechar as portas não é raridade entre lojistas de centros temáticos, alertam especialistas ouvidos pela Folha. Uma das barreiras está no custo do ponto comercial. Mesmo mais barato do que em um polo tradicional, o valor ainda é alto, afirma Mário Cerveira Filho, assessor jurídico do Sindilojas-SP (Sindicato dos Lojistas).

O desembolso com aluguel e fundo de promoção, que chega a 10% do faturamento mensal, é o principal responsável pelo fechamento de empresas nesses locais. Outro entrave é a rigidez das normas, explica Cerveira Filho.

Para a lojista B.L., o valor do aluguel e a falta de autonomia para definir o horário de funcionamento de sua loja de iluminação são empecilhos.
"Não tenho movimento aos domingos e tenho que abrir a loja", critica ela, que tem ponto em shopping de decoração dentro de centro de negócios.

CONCORRÊNCIA LIMITADA

O proprietário da concessionária Green Automóveis Mauro Saddi, 54, foi o primeiro a entrar no Auto Shopping Aricanduva, na zona leste de São Paulo, em 1997.

A escolha foi motivada pelo sucesso do modelo no exterior e às regras do shopping -que não permitem a abertura de duas concessionárias de uma mesma marca. "Minha única dúvida era saber se os brasileiros iriam ao shopping comprar carro. Acertei em cheio", gaba-se.

Vizinho de Saddi, Diego Junqueira, 34, gerente comercial da Mix Veículos, no centro desde 2010, também vê vantagens nas regras. "A pior concorrência é a que ocorre entre a mesma marca e os mesmos produtos."

 

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