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Jovens designers investem em autonomia
JÚLIA DUARTE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os designers de produto no Rio de Janeiro estão preferindo abrir o próprio negócio em vez de procurar emprego. Algumas características do mercado fluminense, como a escassez de escritórios com funcionários fixos, têm incentivado o empreendedorismo entre esses profissionais.
Segundo Felipe Rangel, professor do departamento de design da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), os alunos que querem trabalhar em empresas acabam migrando para a região Sul ou para São Paulo.
No Rio, ainda existem grandes escritórios, como o Índio da Costa A.U.D.T., comandado pelo arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa e seu filho, Guto, que é designer.
Porém, os recém-formados têm priorizado a autonomia no mercado. "Estimulo o empreendedorismo porque é uma maneira de desenvolver a identidade profissional com mais liberdade. Sempre que podemos, direcionamos os alunos para a incubadora da universidade", diz o professor.
"Nas incubadoras, estão sempre chegando investidores interessados em criar parcerias", diz Julia Zardo, coordenadora do projeto Rio Criativo -Incubadoras de Empreendimentos da Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, existem hoje 24 incubadoras instaladas em universidades públicas e particulares do Rio.
Além de espaço, elas oferecem apoio jurídico, administrativo e cursos de empreendedorismo. Zardo aponta o Rio como um ambiente propício à inovação e destaca a preparação da cidade para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. "O enfrentamento de problemas demanda criatividade para resolvê-los", diz.
O designer Eduardo Cronemberger, 29, um dos sócios da Habto Design, formou-se em desenho industrial na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em 2005. Logo após receber o canudo, ele montou a empresa com os colegas e recém-formados Gil Guigon, 29, e Diogo Lage, 30.
Dois dos sócios passaram por um treinamento de empreendedorismo na incubadora da Coppe (instituto de pós-graduação), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Cronemberger afirma que essa fase foi essencial para o sucesso do empreendimento.
| Cecilia Acioli/Folhapress |
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| Os sócios da Habto são na nova geração de designers cariocas: Diogo Lage, Eduardo Cronemberger e Gil Guigon |
A Habto trabalha com mobiliário educacional e desenvolveu projetos que ganharam visibilidade. Um deles é uma sala multiuso que se adapta às necessidades do professor. O projeto chama-se Sistema Revoluti e inclui carteiras de estrutura leve, que permitem mobilidade e vêm com computadores acoplados. O material está exposto na Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, que termina nesta sexta-feira.
A empresa também elaborou um kit multimídia a pedido do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Batizado de UMA (Unidade Móvel de Aprendizagem), o kit é composto por um projetor móvel de imagem 3D e óculos especiais. Cerca de 40 exemplares circularão pelas escolas do Senai e Sesi (Serviço Social da Indústria).
Cronemberger participou de concursos e editais para ganhar experiência e portfólio. Algumas das instituições que lançam editais de incentivo a projetos de design e de inovação são Finep (financiadora de projetos) e Faperj (fundação de amparo à pesquisa).
TENDÊNCIA
O empreendedorismo entre os designers de produto não é exclusividade dos cariocas, diz Ernesto Harsi, diretor de relações institucionais da ADP (Associação dos Designers de Produto). "Essa tendência não existe só no Rio, em São Paulo ou no Brasil. É internacional. Na Europa, há muitos designers de móveis e decoração empreendendo."
Quanto ao panorama carioca, o diretor da ADP afirma que o empreendedorismo pode ser uma saída para a escassez de vagas. "Existem boas escolas formando designers e não há mercado de trabalho suficiente para todos." Segundo ele, a maioria dos empreendedores investe em móveis e objetos de decoração. "É raro encontrar algum que faça outro tipo de produto", diz.
Os designers de produto no Rio de Janeiro estão preferindo abrir o próprio negócio em vez de procurar emprego. Algumas características do mercado fluminense, como a escassez de escritórios com funcionários fixos, têm incentivado o empreendedorismo entre esses profissionais.
Segundo Felipe Rangel, professor do departamento de design da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), os alunos que querem trabalhar em empresas acabam migrando para a região Sul ou para São Paulo.
No Rio, ainda existem grandes escritórios, como o Índio da Costa A.U.D.T., comandado pelo arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa e seu filho, Guto, que é designer.
Porém, os recém-formados têm priorizado a autonomia no mercado. "Estimulo o empreendedorismo porque é uma maneira de desenvolver a identidade profissional com mais liberdade. Sempre que podemos, direcionamos os alunos para a incubadora da universidade", diz o professor.
"Nas incubadoras, estão sempre chegando investidores interessados em criar parcerias", diz Julia Zardo, coordenadora do projeto Rio Criativo -Incubadoras de Empreendimentos da Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, existem hoje 24 incubadoras instaladas em universidades públicas e particulares do Rio.
Além de espaço, elas oferecem apoio jurídico, administrativo e cursos de empreendedorismo. Zardo aponta o Rio como um ambiente propício à inovação e destaca a preparação da cidade para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. "O enfrentamento de problemas demanda criatividade para resolvê-los", diz.
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