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21/10/2012 - 07h00

Start-up brasileira se expande na América Latina com ajuda de chilenos

REINALDO CHAVES
COLABORAÇÃO PARA FOLHA

Uma start-up brasileira está realizando um feito que para muitas grandes empresas ainda é difícil, expandir suas operações para os países da América Latina. O site Bússola do Investidor abriu escritório no Chile e nas próximas semanas vai atuar também na Colômbia e Peru, além de ter previsão de expandir para México e Argentina.

O site foi criado em 2007 pelo economista Frederico Skwara, 24 anos, enquanto ele ainda cursava a graduação na USP (Universidade de São Paulo) com a proposta de disponibilizar informações, ferramentas e serviços para investidores com velocidade de atualização e compartilhamento de ideias. O site já tem 60 mil usuários cadastrados.

Ano passado, Skwara e outros sócios na empresa resolveram se inscrever no Start-Up Chile, programa criado pelo Ministério da Economia chileno para apoiar projetos empreendedores do mundo todo. O site foi aprovado, recebeu um apoio de US$ 40.000 (R$ 80.000) e o direito de participar de uma série de eventos, como palestras, workshops, "meetups" (encontros), além de um "DemoDay", no qual as melhores start-ups apresentam seus projetos frente à investidores locais e estrangeiros. Ele está em negociação para receber aportes de um investidor de San Diego (EUA).

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VIDA EM SANTIAGO

Uma exigência do Start-Up Chile é que pelo menos o fundador da empresa selecionada deve viver no mínimo 6 meses no país. Skwara e mais quatro sócios foram morar em um apartamento no bairro de Providência, em Santiago, onde podiam ir a pé até o trabalho. Ele comenta que esse tempo o ajudou a entender melhor a cultura local. "O chileno é um povo muito desconfiado, então para fazer negócios com eles, é importante manter um relacionamento antes", diz.

Em relação ao ambiente de negócios, Skwara disse ter ficado muito animado com os chilenos. Segundo o relatório "Doing Business 2012" (Fazendo negócios em 2012), produzido pelo Banco Mundial, o Chile ocupa a posição 39 entre os melhores ambientes de negócios e o Brasil está em 126º lugar entre 183 países avaliados. "No Chile há diversos programas de financiamento, não só para start-ups mas para pequenas empresas tradicionais. O sistema tributário também encoraja empreender, pois há um imposto único. Já no Brasil, sabemos que existe uma grande burocracia legal e tributária para abrir e manter uma empresa funcionando", critica.

Divulgação
Frederico Skwara conseguiu R$ 80 mil de um programa chileno para investir em sua start-up
Frederico Skwara conseguiu R$ 80 mil de um programa chileno para investir em sua start-up

Mesmo com essas qualidades, o empresário disse ter identificado um padrão comum ao Brasil, a falta de acesso à informações e ferramentas para investir. Segundo ele, o tema de investimentos é muito difundido em países desenvolvidos, mas na América Latina ainda há muitas oportunidades. Ele destaca também o crescimento dos vizinhos do Brasil como incentivo para expandir. A última projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que o PIB do Chile irá crescer 5% este ano, da Colômbia, 4,3%, do Peru, 6%, do México, 3,8%, e da Argentina, 2,6%. A previsão para o Brasil é de 1,5%.

PRÓXIMA ETAPA

O Start-Up Chile tem hoje cerca de 150 projetos ativos de 37 países, sendo que 18 start-ups são brasileiras de setores como games, turismo e comércio eletrônico. Em dois anos de vida, o programa atendeu 497 companhias e 888 empresários.

Segundo o diretor-executivo do Start-Up Chile, Horacio Melo, os empreendedores que se "graduam" no programa estão sempre interagindo com os seus pares que estão atualmente em curso. "Se há algo que caracteriza Start-Up Chile é o forte sentido de comunidade. Este é um componente-chave do programa, porque o que nós procuramos é criar laços fortes entre os empresários locais e estrangeiros para que o ecossistema chileno se beneficie do que os empresários estrangeiros trazem. Nós nos consideramos uma família de cerca de 500 membros", afirma.

Os recursos para o Start-Up Chile vem da Corfo (Corporación de Fomento de la Producción de Chile, ou Corporação de Promoção da Produção do Chile), uma agência governamental de desenvolvimento de projetos empreendedores no país. O orçamento anual do Start-Up Chile é de US$ 14 milhões (R$ 28,4 milhões). Para comparar, o orçamento anual do Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), núcleo de inovação para empresas que fica dentro da Cidade Universitária de São Paulo, é de R$ 1.800.000.

O programa chileno recebe empresários com mentalidade global, prefere projetos de fácil escala e que tenham cerca de dois anos de vida. O próximo processo seleção será em março. Mais informações em http://startupchile.org/about/apply.

 

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