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02/11/2014 - 02h21

Sites permitem contratar e pagar diarista 'desconhecida' pela internet

FILIPE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

Vinícius Maiolini, 25, mora sozinho desde os 16 anos em São Paulo. Ele conta que encontrar uma diarista que pudesse atendê-lo nos dias em que realmente precisava era uma "chateação". A maioria pedia para marcar o serviço com mais de uma semana de antecedência, diz.

Até que, no Facebook, descobriu há três meses um serviço que permite contratar essas profissionais e fazer o pagamento via internet. Não é possível conhecê-la antes da faxina. "Quando vejo que a casa está suja, entro no site e no dia seguinte ela está lá."

Esse tipo de sistema está crescendo no Brasil e é oferecido por ao menos quatro novos sites –todos surgiram há menos de um ano.

As empresas afirmam que selecionam e treinam as profissionais para o serviço, mas não as contratam como funcionárias –os sites, que ficam com uma comissão pelo serviço, servem apenas como intermediários entre o cliente e a prestadora.

Em geral, eles não se responsabilizam por problemas no atendimento.

Lalo de Almeida/Folhapress
Eduardo Kupper, 32, da Helpling, que liga diaristas a clientes
Eduardo Kupper, 32, da Helpling, que liga diaristas a clientes

"A partir do momento em que o contato se inicia, não estou mais envolvido na execução do serviço", diz Eduardo Küpper, 32, diretor-geral da empresa alemã Helpling no Brasil.

A companhia foi criada pelo grupo de investimento Rocket Internet (financiador de empresas como o Easy Taxi e a loja on-line Dafiti).

Küpper diz que o país é um dos maiores mercados para serviços domésticos, com cerca de 7 milhões de profissionais. Ele não revela quantas estão cadastradas no sistema.

A dificuldade dos clientes também motiva empreendedores. Eduardo Giglio, 24, diz que teve a ideia de iniciar a Blumpa, outra companhia desse mercado, depois que teve dificuldades de contratar diaristas para sua casa.

"Fui até uma agência para contratação de diaristas e vi como tudo era ineficiente. Havia uma sala enorme, com um monte de pessoas para você entrevistar, uma experiência extremamente chata para todos", afirma.

BARREIRAS
Gilberto Sarfati, professor da administração da Fundação Getúlio Vargas, concorda que existe demanda para serviços que consigam atender melhor esse mercado. Porém diz ter dúvidas se o modelo de negócios escolhido se sustenta.

Adriano Vizoni/Folhapress
Eduardo Giglio, sócio da Blumpa, e a diarista Carla Marques, que usa o serviço
Eduardo Giglio, sócio da Blumpa, e a diarista Carla Marques, que usa o serviço

A dificuldade é que, como essas empresas dependem de comissões para lucrar, precisam ter muitos clientes que usem seus serviços. E é provável que muitas pessoas resistam a abrir suas casas para desconhecidos.

Para o professor, será difícil atingir um grande público mantendo um preço que seja competitivo e seja rentável para as companhias.

Hoje, uma faxina de 8 horas em São Paulo tem preço médio de R$ 130 (R$ 16,25 por hora), segundo o levantamento Datacasa de outubro, realizado pelo Datafolha. Uma hora de trabalho contratada em empresas virtuais fica entre R$ 15 e R$ 20,90.

Outro ponto fraco do modelo, na avaliação de Paulo Vicente, professor da Fundação Dom Cabral, está no fato de que, quando os clientes encontrarem profissionais de confiança, o intermediário perde sua importância.

"O cliente vai usar o serviço uma vez e achar a diarista. Se gostar do serviço, provavelmente vai pegar o telefone dela e ligar diretamente quando quiser a limpeza, pagando um pouco menos."

Martin Romero, 33, da easyCasa, afirma que essa opção nem sempre compensa.

"Temos clientes que assinam semanalmente com uma profissional e, se ela fica doente, conseguimos fazer uma substituição e manter o mesmo dia e horário."

Editoria de Arte/Folhapress

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Como é feito o pedido?
O cliente faz o pedido de faxina pela internet, inserindo informações como o número de horas de serviço e a quantidade de cômodos da casa

Quem atende às solicitações?
As plataformas selecionam as profissionais que moram mais perto do cliente e que têm melhores avaliações. A seguir, enviam uma mensagem, por e-mail ou SMS, para elas. Quem responder primeiro faz o serviço

As profissionais são contratadas?
Não. Elas se inscrevem nas empresas e passam por seleções e treinamentos, mas não mantêm um vínculo com elas

Posso pedir para receber sempre a mesma diarista?
Os sites permitem que se peça prioridade para pessoas que já atenderam uma casa, mas é possível que elas não possam ir

Como as empresas ganham?
Elas cobram uma comissão, que pode chegar a 30% do preço da faxina

O que acontece em caso de quebra de algo na casa?
A maior parte das empresas diz não se responsabilizar pelo que acontece após a contratação dos serviços, mas pede que os danos sejam comunicados

 

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