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14/12/2014 - 02h00

Negócios iniciantes acumulam dezenas de 'anjos' e tentam agradar a todos

FILIPE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

A Stayfilm, empresa paulistana criada em 2012, reúne 18 funcionários em seu escritório. Se os investidores também vierem para uma reunião, o espaço fica pequeno: são necessárias mais 52 cadeiras para acomodar todos.

Douglas Almeida, 33, fundador e presidente da empresa, diz que atrair tantos investidores-anjo (como são chamados os apostadores individuais em negócios iniciantes) foi sua forma de viabilizar a companhia, que permite a criação de animações a partir de fotos.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Da dir. para a esq., Vinicius Dias com o sócio Fernando Cymrot e os 'anjos' Renato Stuart, Fábio Hayashi, Romero Rodrigues e José Securato
Da dir. para a esq., Vinicius Dias com o sócio Fernando Cymrot e os 'anjos' Renato Stuart, Fábio Hayashi, Romero Rodrigues e José Securato

Como eram necessários R$ 3 milhões, ele reuniu 58 pessoas de seu círculo social em um evento regado a uísque e petiscos. Apresentou a empresa por 40 minutos e respondeu a perguntas. Dali começaram a surgir os primeiros 30 aportes de R$ 100 mil que deram origem à empresa. Cada um deles ficou com 1% do negócio.

Captações desse tipo podem ser uma forma de conseguir mais dinheiro sem ceder tanta participação no negócio a uma só pessoa ou fundo de investimento. Investidores-anjo investem em média R$ 100 mil em troca de 20% da empresa..

O principal desafio é conseguir lidar com as expectativas de retorno financeiro que a empresa irá trazer. Fazer isso com um grupo com muito mais de cinco pessoas se torna muito complicado, diz Cynthia Serva, coordenadora do centro de empreendedorismo do Insper.

No caso da StayFilm, algumas das pessoas que colocaram dinheiro na empresa, apesar de serem empresários de sucesso, mal sabem usar e-mail, menos ainda compreendem modelos de negócios na internet, diz Almeida.

Para Cássio Spina, presidente da associação Anjos do Brasil, além da vantagem de se conseguir mais recursos, ter muitos investidores também pode ser útil aos empreendedores do ponto de vista do conhecimento e da rede de contatos.

"Não é ruim, só é preciso saber como usar. Cada investidor tem diferentes informações e expertises: se precisamos de alguma ajuda, basta saber para qual deles ligar", diz Vinicius Dias, 30, presidente do Canal da Peça, um e-commerce de produtos para veículos que soma 35 investidores.

Dias conta que, por ele e seu sócio terem vindo do mercado financeiro, os primeiros apostadores vieram do mesmo setor. Com o tempo, passaram a trazer também pessoas especializadas em internet e comunicação, áreas essenciais para o desenvolvimento da companhia.

CÉU OU INFERNO?

Ter muitos interessados em uma empresa que mal começou também traz o risco de tornar o negócio burocrático e fazer com que seja necessária uma assembleia sem fim para cada reunião.

Por isso, é preciso estabelecer acordos sobre quais relatórios os investidores devem receber e com que frequência -e também criar um conselho de administração. É importante ter um representante ou líder do grupo de apoiadores, diz Spina.

Adriano Vizoni/Folhapress
Douglas Almeida, presidente da Stayfilm, uma start-up que cria animações a partir de fotos e vídeos e tem 52 investidores-anjo
Douglas Almeida, presidente da Stayfilm, uma start-up que cria animações a partir de fotos e vídeos e tem 52 investidores-anjo

Na hora de se comunicar com eles, principalmente por e-mail, o mais indicado é ser o mais específico possível sobre as necessidades da empresa. Sem isso, a tendência é ter muitas mensagens para responder depois.

Às vezes, nem é preciso escrever para receber uma série de mensagens e ligações, conta Almeida, da Stayfilm:

"Cada sócio tem diferentes experiências e alguns têm mais medo. Se aparece um concorrente na Índia ou Israel, posso ter dez investidores preocupados."

Lucas Amoroso Lima, 25, sócio da Men's Market,, loja virtual de produtos masculinos, diz que, se pudesse, teria menos do que os atuais 16 investidores, incluindo ex-chefes, amigos, familiares e um empresário holandês. "Quando você tem muitos, cada pequena decisão vira um problema. Se você vai mudar de escritório, precisa de um monte de assinaturas", afirma.

Ele conta que nem todos os investidores se conhecem pessoalmente. Em geral, ele se reúne com cada um mensalmente. "Conforme a empresa cresce, o tempo para conversarmos diminui. Ás vezes temos de ser mais duros. Não faz sentido usar o tempo que temos para discutir cada detalhe."

 

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