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15/03/2015 - 02h00

Site permite que fãs invistam em artistas com contribuições a partir de US$ 1

FERNANDA PERRIN
DE SÃO PAULO

Trazer o mecenato para o século 21 -essa é a proposta do site Patreon, plataforma de financiamento coletivo direcionada a artistas, de músicos a escritores.

Ele se diferencia de outros sites de "crowdfunding" pela sua pretensão modesta. Em vez de financiar um grande projeto, a ideia é prover pequenos produtores de conteúdo com uma contribuição fixa, por mês ou por criação.

Com uma semana de Patreon, os jornalistas Caio Teixeira, 28, Heitor de Paola, 28, e Henrique Sampaio, 30, garantiram quase US$ 1,8 mil mensais (R$ 5.850) para o site sobre games Overloadr -o equivalente a 60% do financiamento total do projeto.

Zé Carlos Barretta/Folhapress
Henrique Sampaio (à esq.), Heitor de Paola (no centro) e Caio Teixeira, sócios da Overloadr
Henrique Sampaio (à esq.), Heitor de Paola (no centro) e Caio Teixeira, sócios da Overloadr

"Fechar conteúdo para o público sendo que ele encontra tudo de graça na internet é tiro no pé. O Patreon possibilita recebermos uma mensalidade sem cobrar pelo conteúdo", avalia Teixeira.

O Patreon fica com 5% de cada contribuição, cujo mínimo é US$ 1 (R$ 3,25). Outras taxas, como a de transação do cartão de crédito, ficam a cargo do financiado.

Com dois anos de vida, o site arrecada US$ 2 milhões por mês de 210 mil apoiadores para 10 mil artistas.

A maioria dos usuários é de criadores de vídeos para o YouTube sobre temas variados, de críticas de jogos a receitas de bolo. Mas há também desenhistas, fotógrafos, poetas e "podcasters".

Em troca, o artista pode oferecer uma conversa pela internet, downloads gratuitos de CDs, ingressos para shows ou deixar o mecenas escolher o próximo game a ser avaliado em um vídeo.

Para Teixeira, o modelo influencia até mesmo o jeito de pensar o que é produzido.

"Eu não preciso fazer uma reportagem só para ter cliques, eu posso focar em conteúdo de maior qualidade."

O jornalista critica, contudo, a visão de que o dinheiro que recebem de 248 patronos é uma ajuda ou doação.

"Não precisamos de ajuda, mas de investidores que achem nosso produto tão legal a ponto de pagar por ele."

Israel Nobre, 30, conhecido como Izzy, também critica a ideia de doação.

Divulgação
Izzy Nobre, blogueiro e vlogger que fala sobre temas variados
Izzy Nobre, blogueiro e vlogger que fala sobre temas variados

Ele diz que, logo no início de sua campanha no Patreon para financiar o site de variedades "Hoje é um bom dia" e seu canal no YouTube, alguns o criticavam por receber dinheiro e aparecer com um iPhone nos vídeos.
Hoje, seu público entende que se trata de um investimento: graças ao Patreon, ele conseguiu deixar seu emprego em uma clínica médica.

O cearense, que mora em Calgary (Canadá), iniciou a campanha de arrecadação em março de 2014. Ele planejava conseguir US$ 500 mensais (R$ 1.625), mas em poucos dias o valor já chegava a quase US$ 3 mil (R$ 9.750).

"Eu fiquei tímido diante desse valor. Eu me lembro que quando eu fui gravar o vídeo de agradecimento, eu pensei 'tenho que ajeitar a luz direitinho, o som, a câmera' porque as pessoas estão pagando", conta. "É como chegar num trabalho novo."

O fato do site operar apenas em dólar, porém, afetou as contribuições do brasileiro. Com a alta recente da moeda, Nobre diz ter percebido uma "queda no entusiasmo" de alguns apoiadores.

Os valores altos recebidos por Izzy e pelo Overloadr têm base em um público fiel antes mesmo do Patreon.

Para artistas que ainda não se firmaram, a situação é diferente. O malabarista Lucas Abduch, 22, mantém campanha no site há mais de um ano e recebe apenas US$ 9 (R$ 29) por vídeo produzido para o Malabarize-se.

Divulgação
Lucas Abduch, malabarista
Lucas Abduch, malabarista

"Eu acredito que [o tema do projeto] contribui. Tem bastante gente que segue o canal, mas apoiar com um 'like' é diferente de apoiar com uma doação", afirma.

Nos EUA, o retorno têm atraído até mesmo artistas estabelecidos, como a cantora Amanda Palmer. Ela garante sua independência de gravadoras ao ganhar dos seus fãs US$ 27,8 mil por obra.

TOP TRÊS ARTISTAS PATROCINADOS NO PATREON

Amanda Palmer
Cantora, US$ 27.784

Kinda Funny Games
Vídeos de games, US$ 27.570

The Breeding Season
Jogos adultos, US$ 26.936

Editoria de Arte
Conheça outros sites de financiamento coletivo
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