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06/12/2015 - 02h00

Empresas cuidam de 'legado digital' e oferecem até postagens depois da morte

GABRIELA STOCCO
MARCIA SOMAN
DE SÃO PAULO

Depois de perder oito familiares e amigos em 15 meses, o médico e palestrante Jô Furlan, 48, decidiu criar um serviço voltado para parentes de pessoas que morreram.

Lançado em novembro, o Morte Digital (www.mortedigital.com.br) pode ser contratado pela família para entrar em contato com plataformas digitais nas quais o parente mantinha contas, como redes sociais ou servidores de e-mail.

É possível solicitar a exclusão do perfil ou uma nova senha para acessá-lo.

O plano para acessar até cinco contas custa R$ 200, e o preço para até dez serviços é R$ 350.

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
O empresário Jô Furlan, dono da Morte Digital, em seu escritório, em Barueri
O empresário Jô Furlan, dono da Morte Digital, em seu escritório, em Barueri

Furlan também fundou o Nota de Falecimento (www.notadefalecimento.org), que permite criar uma página com as informações do familiar morto e divulgá-la nas redes sociais para dar a notícia a amigos. Custa R$ 24,90.

Por segurança, os dois negócios exigem a apresentação de um atestado de óbito, e a solicitação só pode ser feita por pais, filhos ou irmãos.

Para Camila Porto, especialista em marketing digital, a questão do gerenciamento do legado digital se tornará cada vez mais relevante.

Ela diz, porém, que é preciso criar serviços mais abrangentes, como backup das informações das redes sociais.

Algumas empresas, como Google e Facebook, já permitem que usuários determinem os "herdeiros" de suas contas em caso de morte.

Já para Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da USP e colunista da Folha, essas empresas administram um novo tipo de herança, o patrimônio digital.

Embora esse serviço possa ser feito com certa facilidade por alguns, diz Radfahrer, "se é um patrimônio enorme, ou você não tem tempo ou habilidade, a tendência é contratar alguém para fazer isso".

VIDA ETERNA
Enquanto alguns querem encerrar suas contas após a morte, os mais de 40 mil usuários da rede social Eter9 podem garantir sua presença digital eternamente.

No site, criado em 2013, há uma versão virtual de cada usuário, chamada contraparte. Segundo o fundador, Henrique Jorge, 48, a contraparte aprende seu comportamento na rede e pode reproduzi-lo em postagens similares, citando frases de pessoas célebres, por exemplo.

O usuário pode determinar o grau de autonomia do sistema, definindo se pode postar quando está desconectado ou após sua morte.

O serviço é gratuito e, no futuro, Jorge estuda oferecer uma opção paga a empresas por postagens automáticas.

 

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