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19/08/2012 - 06h02

Depreciação e falta de crédito congelam mercado de usados

RODRIGO LARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A situação é comum: seduzido pela queda nos preços dos carros zero-quilômetro, o consumidor corre às lojas para trocar o modelo usado por um novo. A empolgação dura até o momento em que o cliente descobre o quanto pagam hoje pelo seu veículo.

Lojistas têm dificuldade para aprovar parcelamento para carro usado

Alessandro Shinoda/Folhapress
João Batista Albiero Júnior comprou um VW Fox novo sem vender seu Gol 1995 (à esq.)
João Batista Albiero Júnior comprou um VW Fox novo sem vender seu Gol 1995 (à esq.)

"Levei meu carro para ser avaliado em duas concessionárias de São Paulo. Em uma, ofereceram um valor R$ 7.000 abaixo da tabela. Na outra, foi pior: R$ 8.000 a menos. Dei risada da oferta e fui embora", conta o analista de sistemas Raphael Mesquita Siqueira, 29, dono de um Fiat Palio ELX 1.0 2010, cujo valor de mercado é estimado em R$ 25,5 mil.

Raphael afirma que desistiu do negócio ao menos por enquanto. "Eu pensei em trocar porque os custos de manutenção ficariam maiores com o tempo, mas terei que continuar com o meu carro", lamenta. Segundo ele, os lojistas dizem que estão pagando pouco por estar difícil vender um carro usado.

A desvalorização acentuada se deve ao momento do mercado. Além da redução nos preços que reflete o desconto de IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) para carros novos, a escassez de crédito ao consumidor levou à estagnação do segmento de usados.

"As financeiras preferem dar crédito para a compra de modelos zero-quilômetro porque o risco para elas é menor em caso de inadimplência. Soma-se a isso o fato de que é mais fácil um consumidor achar um carro novo dentro das suas preferências", diz Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

Editoria de Arte/Folhapress

As taxas de juros para o financiamento de usados dependem da idade do veículo, mas, em geral, são mais altas do que as praticadas na compra de carros novos.

"O mercado de usados é extremamente sensível ao que ocorre com o de automóveis zero-quilômetro. Isso faz com que o interesse pelos modelos rodados caia, o que afeta a liquidez desse tipo de bem", diz Garbossa.

De acordo com os relatórios da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o desempenho do mercado de usados foi 2,3% melhor entre janeiro e julho de 2012 do que no mesmo período do ano passado. O problema é que a balança está pendendo para os carros novos.

"Historicamente, a relação é de três automóveis usados vendidos para cada zero-quilômetro emplacado. Hoje, essa marca está em 2,3 usados para cada novo. O que vemos é um mercado parado", explica Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave.

Meneghetti também afirma que a baixa oferta de crédito para a compra de usados dificulta a aquisição, mas acredita que a tendência é de retorno à normalidade. "Estamos em um período de transição. Passada a baixa do IPI, o mercado de usados deverá retomar seu fôlego."

INDEPENDENTES

Os lojistas independentes estão tendo problemas com a demora para vender os carros em estoque, que perdem valor. "O movimento de queda começou no início do ano e está pior do que em 2008, quando também houve corte no IPI. Os preços caíram mais e o mercado está lento", diz Wendel Gonçalves Tomé dos Santos, dono da W Motors.

Para os consumidores, o mau momento do mercado de carros usados exige mudanças nos planos. Quem pretende vender um carro precisa ter paciência e buscar alternativas para perder menos dinheiro (veja quadro acima).

A fonoaudióloga Danielle Moraes, 29, reviu a decisão de entregar seu Renault Sandero Expression 2009 em uma loja. "Ofereceram muito pouco pelo meu carro. Eu queria aproveitar o IPI reduzido, mas fiquei insatisfeita com as ofertas. Estou considerando a hipótese de oferecê-lo para particulares", conta.

O advogado João Batista Albiero Júnior, 62, foi mais radical. Morador de Porto Feliz (118 quilômetros de São Paulo), ele preferiu comprar o carro zero-quilômetro sem se desfazer do seu veículo antigo, um Volkswagen Gol 1995.

"Não valia a pena usá-lo como entrada na troca, pois me ofereceram apenas entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Acabei comprando um VW Fox novo e vou utilizar o Gol para percursos curtos ou mais exigentes, como estradas de terra", explica o advogado.

 

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