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02/09/2012 - 06h01

Inspeção em SP estimula procura pela placa preta

FELIPE NÓBREGA
DE SÃO PAULO

"Na capital paulista, cerca de um quarto dos donos de carros antigos tiraram a placa preta exclusivamente para livrar seus veículos da inspeção ambiental obrigatória", afirma Ricardo Luna, presidente do Clube do Carro Antigo do Brasil.

Por lei, o automóvel que conquista a chapa com fundo escuro (que o caracteriza como carro de coleção) não precisa se submeter aos testes de emissões e ruídos da Controlar nem possuir itens de segurança "modernos", como o extintor de incêndio.

Para isso, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) exige que o veículo tenha ao menos 30 anos de fabricação, 80% de originalidade e esteja em bom estado de conservação.

Para colecionadores, a placa especial é um recurso para que modelos nacionais antigos consigam circular legalmente.

"Na época em que foram produzidos, não se exigia limite de poluição. Muitos já nasceram com cheiro de óleo queimado", diz Ricardo Jacob, dono de raridades que "quase não saem da garagem".

Camilo Fontana/Arquivo Pessoal
O sedã 1981 do designer Camilo Fontana é o primeiro Voyage a receber a placa preta no país
O sedã 1981 do designer Camilo Fontana é o primeiro Voyage a receber a placa preta no país

Só a partir de 1986 foi estipulado no Brasil um teto para emissões veiculares.

Segundo a Federação Brasileira de Veículos Antigos, a média de registros de placa preta emitidos pelos clubes filiados à entidade triplicou nos últimos cinco anos -passou de 35 por mês para quase cem, a maioria em São Paulo, onde a inspeção existe desde 2008. O Detran-SP diz que somam 8.518 na capital.

Como são os clubes que atestam o índice de originalidade e emitem o laudo para a instalação da placa preta, o benefício acabou fomentando um mercado negro.

"Há associações que passaram a vender a licença, aprovando carros em mau estado", revela o diretor de um clube, que pediu anonimato.

Desde o início do ano, o governo dispensa os automóveis fabricados até 1965 da inspeção ambiental. Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre qual foi o critério usado para a adoção dessa linha de corte.

VALORIZAÇÃO

Por ser um atestado de originalidade e boa conservação, a placa preta pode valorizar o veículo. De acordo com clubes de veículos antigos, o preço de um carro comum (facilmente encontrado à venda) pode aumentar de 10% a 20%.

Mas não é fácil obtê-la. É preciso pagar por laudos, taxas e serviços que podem chegar a R$ 1.000.

Para o o designer Camilo Fontana, 27, o esforço foi válido. Ele é dono do primeiro VW Voyage com placa preta do Brasil. Pelos seus cálculos, o sedã 1981 vale R$ 25 mil. Um modelo zero-quilômetro custa a partir de R$ 29.990.

O Voyage foi aprovado com 99,5% de originalidade - só não teve nota máxima por adotar uma bateria atual.

Segundo Roberto Suga, do conselho deliberativo do Chevrolet Clube do Brasil de Carros Antigos, a placa preta, porém, não seduz os colecionadores. "Eles sabem identificar uma raridade", diz.

 

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