Publicidade
20/04/2013 - 23h00

Fabricantes desenvolvem veículos que irão monitorar a saúde do motorista

RICARDO RIBEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Sensores monitoram o que acontece com os carros modernos e controlam itens como freios e suspensão. Mas como seria se houvesse também o monitoramento da saúde do motorista?

Leslie Saxon, diretora executiva do Centro de Computação do Corpo (Body Computing) da University of Southern California e 'mãe' de Nigel, trabalha para responder a essa pergunta.

Nigel é um Mini Cooper equipado com 230 sensores que monitoram o condutor e comparam os dados com as informações do carro e do ambiente por onde ele passa. A BMW é parceira no projeto.

"Até a maneira como o motorista toca o volante ou a forma como a pessoa se ajeita no assento podem revelar muito sobre ela", diz Saxon.

Editoria de Arte/Folhapress

O protótipo combina sensores de movimento e ultrassom para monitorar a pressão arterial ou os batimentos cardíacos do motorista. Para isso, basta que ele toque em algumas partes do painel.

A Ford quer monitorar o coração com sensores instalados no banco. Segundo o fabricante, o projeto desenvolvido em parceria com o centro técnico da Universidade de Aachen (Alemanha) registrou 98% de acerto.

O equipamento também prevê o envio de mensagens para centros médicos em caso de alterações nos padrões cardíacos do motorista.

"O carro é o ambiente ideal para a medição da atividade cardíaca, porque as pessoas passam longos períodos sentadas em uma posição relativamente tranquila", diz Steffen Leonhardt, professor da Universidade de Aachen e participante da pesquisa.

OPINIÕES DIVIDIDAS
Os "carros médicos" dividem as opiniões. Para Dirceu Rodrigues Alves Júnior, especialista em medicina de tráfego da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), a tecnologia deve ser avaliada com cautela.

"É interessante para monitorar quem já tem uma doença cardíaca, por exemplo, ou precisa fazer exames simples, como medir a pressão. Mas os resultados de um eletrocardiograma em um ambiente estressante como é o trânsito no Brasil podem ficar distorcidos", avalia Júnior.

Já o cardiologista Carlos Eduardo Suaide Silva, do laboratório Alta Excelência Diagnóstica, afirma que, se as condições necessárias forem seguidas, os resultados dos exames possíveis serão precisos.

"Para a realização de um holter de 24 horas, exame que analisa os batimentos cardíacos durante um dia inteiro, é recomendável que o paciente mantenha suas atividades normais. Não é um problema se ele estiver dirigindo, pois o estresse pode até ajudar no diagnóstico", explica Silva.

Ainda há um longo caminho até que os "carros médicos" possam ganhar as ruas. O banco da Ford que mede os batimentos cardíacos, por exemplo, levará cerca de dez anos para entrar na linha de montagem.

Protótipos como o Nigel, desenvolvido pela BMW em parceria com a University of Southern California, ainda estão "aprendendo" a interagir com o motorista.

Ele analisa muitos dados sobre atitudes do condutor e envia mensagens, mas ainda não avançou muito no campo da medicina diagnóstica.

Há alguns carros no mercado que, apesar de não serem capazes de agir como socorristas, são eficientes em chamá-los. É o caso dos sistemas On Star, da Chevrolet, e do Volvo On Call

Em caso de batida, o computador do modelo GM envia uma mensagem automática à central de socorro. O serviço custa cerca de US$ 30 por mês nos EUA.

 

Publicidade

 

Publicidade

 
Busca

Encontre um veículo





pesquisa

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade
Publicidade

Publicidade


Pixel tag