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09/06/2013 - 00h22

Controladoria ganha força com lentidão da economia

PEDRO ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A economia brasileira está crescendo menos que o esperado -o PIB avançou 0,6% no primeiro trimestre deste ano, abaixo da expectativa do mercado, que era de 0,9%.

Com isso, cresce nas empresas a importância de profissionais de controladoria, que indicam o caminho para cortes de gastos, restruturações e investimentos.

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"Em 2011, as empresas investiram pesado em projetos e em produção. O problema é que os resultados esperados não vieram. Por isso, em 2013, procura-se compensar essa baixa por meio da reorganização dos custos", afirma Lucas Toledo, gerente-executivo da consultoria Michael Page.

Um levantamento da empresa indica que os chamados controllers, que são responsáveis pelo planejamento econômico-financeiro das companhias, são um dos mais procurados hoje.

Os salários oferecidos variam entre R$ 8.000 e R$ 25 mil para cargos de alta e média gerência.
Outro fator que justifica a demanda para esse cargo é a adoção no Brasil do IFRS, que é um conjunto de normas internacionais de contabilidade que visa uniformizar os procedimentos do setor.

Deco Cury/Folhapress
Carlos Valeriano, controller da Accenture
Carlos Valeriano, controller da Accenture

A questão é que o Brasil vive uma carência de profissionais capacitados para assumir esse tipo de posto. A função deles é reunir informações financeiras, corporativas, tributárias e legais da organização e, a partir de uma análise criteriosa, munir a alta de direção de dados para a tomada de decisão.

O controller, em geral, tem formação em ciências contábeis com sólidos conhecimentos em administração de empresas, economia, finanças e tributação.

É desejável, também, que ele tenha uma boa visão geral do negócio da empresa, capacidade analítica e habilidade de se comunicar bem com todos os departamentos.

E ser um bom negociador, já que parte do trabalho é fazer com que os gestores de cada área aprovem os projetos formulados por ele.

Para ocupar a função, não é suficiente "dialogar com números", ou ser apenas a pessoa que tem a "chave do cofre", afirma David Kallas, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças Administração e Contabilidade).

"É preciso debater ideias, discutir saídas e entender o 'métier' da empresa."

MENOS BUROCRACIA
Mirelle Filomeno, gerente da consultoria Manpower Specialist, diz que a dificuldade de encontrar esse tipo de profissional está relacionada a uma mudança de cultura em relação à função dos profissionais de controladoria nas empresas.

"A visão do contador até então era de uma pessoa meramente burocrática", afirma. "O profissional precisa sair do papel operacional e ter uma visão mais estratégica. Não havia essa cultura no Brasil, por isso estamos com dificuldade de encontrá-los."

Carlos Valeriano, 34, controller da unidade de negócios da consultoria Accenture, tem um currículo clássico do que é exigido pelas empresas para o cargo.

É formado em ciências contábeis, fez cursos de extensão em negócios e mestrado profissional em administração de empresas. Ele também fala inglês e espanhol.

"Entender de contabilidade me ajudou profundamente, mas eu precisei adquirir uma base diferente, que me ajudaria a pensar a fundo o negócio em cada projeto em que estou envolvido", conta. "É fundamental que um controller saiba transformar informações em estratégia."

FALAR DE NÚMEROS
Hoje à frente de uma equipe de 11 pessoas distribuídas por escritórios no Brasil e na Argentina, Valeriano acostumou-se a buscar profissionais no mercado, de preferência com um perfil que combine as habilidades comportamentais e técnicas.

Contudo, sabendo da realidade do ramo, ele admite que essa nem sempre é uma tarefa fácil.

"Muitos acham que são bons tecnicamente, mas não têm a inteligência emocional para administrar situações", afirma. "Saber se comunicar é algo importantíssimo."

Ter pleno domínio do inglês também é essencial. "É importante ter uma segunda língua, já que reportamos nossa situação econômica à matriz [da multinacional]", conta José Othon de Almeida, líder de um programa da Deloitte no Brasil para formação em finanças e negócios de gestores da empresa.

A formação inicial ideal para ocupar o cargo é um ponto bastante discutido.

Embora o profissional possa ser oriundo de outras áreas, como administração de empresas, economia ou finanças, exige-se que ele disponha de uma base de ciências contábeis, uma vez que assinará os balanços e dados de prestação de contas da organização.

Essa é uma das questões que justifica a escassez de profissionais nessa área.

"Até pouco tempo atrás, só havia um programa de doutorado em contabilidade no Brasil. O resultado é que temos no mercado profissionais com uma formação carente demais para assumir o cargo de controller", afirma Samy Dana, professor da FGV.

Daniel Iwata, 33, que ocupa o cargo no Grupo Voitel, é graduado em administração de empresas com especialização em gestão.

Ele diz que foi aprendendo na prática a área de finanças nas organizações em que trabalhou, como CTIS e Telefônica.

"Consegui agregar muito à minha bagagem trabalhando nos departamentos de finanças, atuando em gestão de custos e planejamento. Aprendi a ser estrategista, unindo a parte técnica com a a habilidade para os negócios", afirma.

ONDE ESTUDAR
Ciências contábeis
Universidade Mackenzie
Vestibular Dezembro
Mensalidade R$ 1.348

Universidade de São Paulo
Vestibular 24/11
Mensalidade gratuita

QUEM EU PROCURO

Divulgação
Eduarda Bueno, diretora financeira da KPMG Brasil
Eduarda Bueno, diretora financeira da KPMG Brasil

Pelo lado técnico, buscamos alguém com entendimento de contabilidade, impostos, finanças, orçamento, ferramentas de TI e relatórios de desempenho.
Mas, acima de tudo, queremos profissionais que consigam conectar a parte técnica com o entendimento dos processos da empresa.
O controller precisa ter forte capacidade de planejamento, organização, controle e mensuração de resultados.
Eduarda Bueno, diretora financeira da KPMG Brasil

 

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