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09/09/2012 - 06h15

Dançarino da Xuxa vira educador financeiro

FELIPE MAIA
DE SÃO PAULO

RESUMO: Vagner Menezes Pereira, 41, o Fly, ganhou fama dançando em programas da Xuxa. Faturou com o grupo You Can Dance e chegou a posar nu para a revista "G Magazine", mas acabou endividado. Coreógrafo e diretor da TV Globo, ele estudou finanças pessoais sozinho e agora dá palestras em empresas sobre o tema, cobrando entre R$ 5.000 e R$ 10 mil.

*

MINHA HISTÓRIA

Nasci em Nilópolis, fui criado na Mangueira e sempre soube inventar dinheiro: vendia coisas para ferros velhos, encerava a casa das pessoas... Depois fui trabalhar no Carrefour, como empacotador. A primeira coisa que fiz foi abrir um crediário em 48 vezes para comprar material de construção e aumentar a casa da minha mãe.

Leonardo Wen/Folhapress
Vagner Meneses Pereira, mais conhecido como Fly, dá palestras sobre educação financeira
Vagner Meneses Pereira, mais conhecido como Fly, dá palestras sobre educação financeira

O povo é assim: não tem costume de se controlar e acha que está tudo bem se a parcela couber no bolso.

Quando o You Can Dance fazia sucesso, em 1995, eu ganhava muito dinheiro com os shows, mas, quando a gente não tem nada, quer ter tudo. Na carreira artística, se a música não estoura ou você não tem a mesma quantidade de shows, começa a gastar mais dinheiro do que ganha, e eu não tinha reservas.

Na época em que o grupo teve uma queda, lá para 1997, 1998, eu vi que ser artista estava por fora, então fui buscar outros caminhos. Fui fazer faculdade, mas, no quarto período, como eu repeti na matéria de finanças para marketing, perdi a bolsa que eu tinha. Decidi estudar mais sobre o assunto.

Fiquei estudando educação financeira sozinho por dez anos e decidi que, depois de ter aprendido tanto, poderia ensinar para as pessoas. Eu achava que ninguém ia querer me ouvir, mas, para ganhar credibilidade, criei um grupo de e-mails chamado Flynveste.

Eu mandava mensagens com dicas para 50 amigos, mas ninguém me respondia agradecendo, aí decidi parar. Só quando eu parei e que chegaram e-mails reclamando vi que o negócio funcionava.

Eu resolvi apresentar um projeto ao departamento de RH da Globo para dar palestras. Primeiro eles não entendiam nada e perguntavam: "Você quer dar aulas de dança?" Eu tinha de explicar.

Depois que o RH comprou a ideia, eu pedi que eles não dissessem que era eu quem ia dar a palestra. Então no convite dizia que era uma aula de "Vagner Menezes Pereira", e não do Fly.

No primeiro dia eu liguei os slides, fiquei sentado esperando e deixei atrasar por 15 minutos. As pessoas achavam que eu ia assistir à aula. Aí eu me levantei e disse: "Bom dia, eu sou o Vagner e vou falar sobre educação financeira com vocês, me deem 20 minutos e eu vou provar que sei do assunto".

Depois dessa primeira não parei. Sempre aparecem palestras em empresas, mas como ainda estou ganhando credibilidade, muitas não querem pagar, e sou obrigado a negociar. Quando falo em ONGs, eu vou de graça.

Nas palestras eu acabo fazendo uma "comédia stand up do dinheiro". Conto minhas derrotas e o pessoal morre de rir. Eu me coloco como um cara que deu a volta por cima estudando finanças pessoais e o que eu tenho para compartilhar é a minha experiência de vida.

Eu também mostro como negociar na loja, na hora de comprar produtos de valores muito altos. Sempre digo: "Esteja com dinheiro no bolso". Quando as pessoas vão comprar uma televisão, elas têm que se planejar, e não sair comprando em 48 vezes.

Quando falo com pessoas endividadas, explico que tem jeito: "Se você está endividado, não se sinta culpado, porque no Brasil a gente não tem educação financeira".

 

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