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14/06/2015 - 02h00

Estudo global revela que a nova geração não cobiça os cargos mais elevados

ADRIANA FONSECA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A maioria dos recém-formados que ingressam no mercado corporativo não está lá muito interessada em chegar ao alto escalão de uma grande empresa.

Ao menos é o que mostra a nova pesquisa Global Workforce Leadership Survey, conduzida pela Saba e pela WorkplaceTrends, que ouviu mil funcionários em oito países (EUA, Austrália, França, Alemanha, México, Portugal, Espanha e Reino Unido). Só 11% deles revelaram querer ocupar cargos de diretoria, vice-presidência e presidência.

"Os mais jovens da geração X e os indivíduos da geração Y têm um ponto de vista diferente de liderança", analisa Emily He, diretora de marketing da Saba Software. "Muitos podem se imaginar como líderes mesmo sem ter cargo de direção, graças a sua experiência com gestão de projetos ou de pessoas."

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Na avaliação dessa executiva, os profissionais mais novos olham, mais do que o cargo, a forma como podem contribuir para o sucesso do negócio. "A geração Y se vê como líder sem ter o título."

Fabio Braga/Folhapress
Manoela Costa, 31, gerente-executiva
Manoela Costa, 31, gerente-executiva

Para Danilca Galdini, diretora da Nextview People, empresa de pesquisa em gestão e desenvolvimento de pessoas do grupo DMRH, no Brasil vem ocorrendo um movimento semelhante.

"Temos a percepção, mas não números, de que o jovem questiona o cargo de liderança", diz. "Começamos a perceber aqui o discurso de que o título não é o único reconhecimento de sucesso."

A maioria, claro, ainda vê a subida ao topo da hierarquia corporativa como sinônimo de carreira bem-sucedida, reconhece ela. Mas gente da nova geração já consegue enxergar, antes mesmo de experimentar os cargos do alto escalão, que eles carregam um ônus muito grande.

"O jovem sabe que, ao conquistar um bom cargo, ganha em autonomia, salário e reconhecimento. Mas, quando coloca na balança os prós e contras, vê que ela desequilibra, porque perde em qualidade de vida e passa a sofrer mais pressão", diz a consultora. "Alguns admiram seus gestores, mas não querem a vida deles."

Para contornar esse obstáculo, algumas empresas começam a oferecer o que chamam de carreira em W.

Nesse modelo, a companhia dá ao profissional em ascensão a possibilidade de gerenciar projetos e pequenos grupos envolvidos naquela tarefa. "É um meio-termo entre a carreira tradicional, que leva a cargos de gestão, e a em Y, na qual o profissional permanece como técnico", explica Danilca Galdini.

Não há consenso no mercado brasileiro sobre essa tendência de que jovens deixam de sonhar com o topo.

Manoela Costa, gerente executiva da Page Talent, diz que no Brasil há programas de trainee e estágio muito intensos e consolidados, e eles têm claramente a missão de formar novos líderes.

"A entrada do jovem no ambiente corporativo por meio desses programas já tem como objetivo a liderança." Manoela cita pesquisa da Page Talent segundo a qual três em cada quatro dos 300 ex-estagiários ouvidos ocupam posições estratégicas nas empresas hoje.

"Jovens falam muito em equilíbrio de vida pessoal e profissional. Para eles, isso significa trabalhar com o que gostam, num ambiente em que se sintam bem", diz.

 

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