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08/06/2015 - 12h00

Prédio ruim faz a cidade sofrer por muito tempo, diz incorporador

DE SÃO PAULO

Divulgação
Eduardo Andrade de Carvalho, sócio da Moby Incorporadora
Eduardo Andrade de Carvalho, sócio da Moby Incorporadora

Eduardo Andrade de Carvalho, sócio da Moby Incorporadora –que lança um prédio em SP com arquitetura de Eduardo de Almeida em parceira com Cesar Shundi–, comenta a relação entre construtoras e arquitetos.

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Confira a entrevista de Carvalho para a Folha.

Folha - Qual é o impacto das construtoras na cidade?
Eduardo Carvalho - Nos últimos dez anos, com o boom do mercado, muita coisa foi feita com pressa e sem cuidado. Um prédio não é perecível nem inofensivo, se for ruim para a cidade, muita gente vai sofrer durante muito tempo. E, ao contrário, se for bom, será bom quase que para sempre –como é o caso do Conjunto Nacional, na avenida Paulista.

Por que vemos tantos prédios novos iguais?
Quando o mercado retomou no início dos anos 2000, poucos escritórios estavam preparados para atender a uma incorporadora profissional, os melhores estavam fazendo casas e museus. Hoje, vemos bons escritórios começando a fazer prédios, mas ainda é pouco. Basta olhar para bairros que se desenvolveram recentemente: muitos muros, pouca calçada, prédios sem graça. Para a cidade, o importante é que a boa arquitetura não esteja restrita a certas regiões, a uma alta renda, como está agora. Precisamos elevar o nível da arquitetura média de São Paulo.

Como melhorar a relação com arquitetos?
Eles precisam estar abertos. O desenvolvimento de um empreendimento imobiliário está submetido a uma legislação ampla e complexa, o que acaba atrapalhando o processo de criação de arquitetos que não estão acostumados. O incorporador precisa ajudar o arquiteto autor com a legislação e o arquiteto deve entender exigências específicas, como prazos e restrições.

E por isso que compara seu trabalho ao de uma editora?
O editor faz a ligação entre o texto e o seu leitor, parte do trabalho é com o próprio texto, parte é transformar esse trabalho em um produto comercial. De repente percebi que estava fazendo isso, mas meus livros eram prédios e, em vez de escritores, trabalhava com arquitetos.

Como avalia o Novo Plano Diretor de São Paulo?
Ele tem ótimas iniciativas, como estimular a fachada ativa (loja no térreo de edifícios residenciais), o adensamento perto de transporte coletivo e edifícios de uso misto. Gosto muito também da ideia do Fundo Municipal dos Parques, previsto no Plano, que estimula parceria entre a Prefeitura e a sociedade para a criação de novos parques. Mas o Plano encareceu muito a construção de prédios na cidade com a novo cálculo da outorga onerosa. Isso limita a oferta de apartamentos e, consequentemente, aumenta o preço dos imóveis.

Como será esse novo empreendimento feito com o Eduardo de Almeida?
O Eduardo é muito conhecido pela obsessão que tem com os detalhes, pela qualidade dos espaços que desenha e pela sensibilidade estética. Você se sente bem em um ambiente que ele projetou sem saber exatamente por que, nada chama muita atenção e ao mesmo tempo tudo está no lugar, no tamanho certo, impecável. Nós pedimos que a planta fosse flexível, isto é, que ela se resolvesse bem em várias configurações diferentes: com três quartos; com um quarto grande, um escritório e uma sala maior, por exemplo. O Eduardo e o Shundi desenharam uma planta livre, sem estrutura dividindo os ambientes, com espaços abertos, iluminados, confortáveis. A fachada do prédio é leve, delicada e quase transparente –outra característica da obra do Eduardo.

 

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