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07/05/2013 - 11h10

Empresa de educação que começou em apartamento hoje fatura R$ 50 milhões

REINALDO CHAVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O engenheiro e empresário Célio Antunes, 52, já teve que sair a noite atrás de um caminhão de lixo para salvar sua empresa. Em outra oportunidade, ficou o dia todo distribuindo 120 mil panfletos para divulgar seus serviços. Esses forram alguns dos erros e esforços que fizeram crescer um grupo de ensino de tecnologia que hoje fatura R$ 50 milhões por ano, o Grupo Impacta.

Antunes começou sua vida profissional trabalhando como estagiário em uma fábrica de computadores. No começo, ele traduzia manuais técnicos importados e depois foi para as áreas administrativa e de marketing. "Fiquei oito anos nessa empresa e cheguei a ser gerente de marketing e vendas, mas queria ter minha empresa", lembra.

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Ele resolveu começar seu sonho ainda em casa, em seu apartamento em São Paulo, três anos antes de sair do emprego. Nesse meio tempo, foi criada a marca da futura companhia e foram feitas pesquisas. "Não sabia direito o que ia fazer. Fui fazendo muita pesquisa de mercado e adquirindo objetos para me ajudar, como um arquivo de ferro, uma bancada e computadores. Só tinha vontade de, no futuro abrir uma faculdade de tecnologia, mas não sabia bem como", diz.

Antes de botar o negócio para funcionar ele também cuidou dos detalhes burocráticos e reuniu toda a papelada necessária. Numa conversa com um amigo, que era revendedor de computadores, veio a ideia final do negócio no ano de 1990: faltavam muitos técnicos de suporte no mercado e como ele já estava reunindo equipamentos de informática decidiu criar uma escola como foco técnico.

Divulgação
Célio Antunes, fundador do Grupo Impacta, grupo de ensino de tecnologia
Célio Antunes, fundador do Grupo Impacta, grupo de ensino de tecnologia

CORPO A CORPO

Foi aberta a escola Impacta e o primeiro curso foi fundamentos do hardware, em um prédio na avenida Paulista, em São Paulo. Logo vieram outras disciplinas, como processadores, eletrônica analógica e digital e linguagens Assembly e Cobol.

Voltada para um público restrito e técnico, a empresa precisava buscar seus alunos e Antunes resolveu botar a mão na massa. Ele imprimiu 120 mil folhetos e foi fazer a distribuição na antiga Fenasoft (Feira Nacional de Software). "Passei o dia todo lá, só tive ajuda da irmã e de uma pessoa que subcontratei", lembrei.

Os alunos foram aumentando e ele precisava mudar de prédio. Encontrou outro local na mesma avenida Paulista, mas por inexperiência alugou salas que por contrato do condomínio não podiam receber aulas. Acabou sendo expulso pelo síndico e teve que achar um prédio próximo às pressas.

DAS ÍNDIAS

Os negócios iam bem, mas Antunes tinha vontade de se diferenciar mais no mercado e em 1996 resolveu viajar até a Índia, polo mundial de TI (tecnologia da informação). Naquele país ele conheceu muitas escolas semelhantes a sua, mas com uma grande diferença: elas ofereciam uma alternativa mais barata para estudantes que não tinham recursos para pagar uma cara certificação internacional.

"Muitos alunos podem pagar um curso para terem mais eficiência em seus empregos ou buscar um novo, mas uma certificação de mais de R$ 1.000 pesa no bolso. Por isso, criamos uma certificação na nossa própria escola", diz.

No sistema adaptado da Índia, as provas de certificação são gratuitas para os alunos, que só precisam pagar se repetirem a avaliação por nota insuficiente. O nível de dificuldade é similar aos testes estrangeiros e tem auditoria.

Isso alavancou também as matrículas de empresas na Impacta, interessadas em melhorar a produtividade de seus funcionários. Hoje, 50% do faturamento do grupo já vem de matrículas feitas por pessoas jurídicas.

QUASE LIXO

Durante a fase de crescimento da empresa, Antunes também criou uma revista para divulgar as novidades. A proposta que parecia muito boa quase naufragou. As dezenas de caixas com o material impresso foram descarregadas na área do prédio da escola em que ficava o lixo --como sacos pretos estavam por perto tudo foi levado pelo caminhão do lixo.

O empresário lembra ter ficado desconsolado quando descobriu e nem teve vontade de voltar para a casa à noite. Ele resolveu fazer uma última tentativa. "Eu fui pesquisar qual era o percurso daquele caminhão, peguei um carro e fui atrás dele. Era noite e estava eu na rodovia Presidente Dutra procurando um caminhão de lixo. Hoje lembro e dou risada", diz.

O caminhão acabou por ser encontrado perto da meia-noite em um galpão e as revistas já iriam ser picotadas. Ele teve que negociar a devolução do material, mostrando seus documentos e a nota do produto. No final. conseguiu reaver tudo.

Hoje a instituição tem 2.500 alunos e usa conteúdos de "cloud computing" (computação em nuvem), isto é, as aulas são digitalizadas com armazenamento dos conteúdos das lousas digitais, áudio e vídeo. O aluno pode acessar esse material depois em qualquer computador.

No total o Grupo Impacta tem cerca de 75 mil alunos e emprega 700 pessoas, com um faturamento de R$ 50 milhões.

Antunes considera que os erros que cometeu no passado e seu esforço foram importantes para seu crescimento. "Aprendi muito. Outro dia por coincidência até reencontrei o síndico que me expulsou e o agradeci. Ele ficou sem saber o que dizer. Passei por situações difíceis que me fizeram estudar mais e procurar alternativas para crescer", comenta.

 

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