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24/04/2013 - 11h23

Calote de clientes faz dentista criar empresa que fatura R$ 1,5 milhão

REINALDO CHAVES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quando começou a clinicar, em 2002, o dentista Márcio Campos, 37, tinha um problema sério: muitos pacientes eram inadimplentes porque pagavam com cheques sem fundos e, quando usavam dinheiro, não tinham condições de bancar o tratamento de uma vez só e acabavam dando apenas uma parte e sumindo.

O que para muitos seria motivo para jogar a toalha ou só reclamar para ele serviu de inspiração para criar uma empresa que faturou R$ 1,5 milhão em 2012, a PagPop.

Campos, que tinha seu consultório em Ribeirão Preto (interior de São Paulo), diz ter percebido qual é o maior inimigo dos dentistas: o parcelamento do varejo. "Não adianta culpar o paciente ou outro dentista concorrente. O grande problema era que as pessoas não podiam parcelar um tratamento porque consultórios não aceitavam cartão de crédito", diz.

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Cansado dos calotes, ou da "embromalina com tapadozol", como chamava, ele começou a pesquisar uma forma de seus pacientes parcelarem os atendimentos usando o cartão de crédito. Com um plano de negócios embaixo do braço, ele foi pedir apoio com um banco para emitir carnês e receber cartões de crédito. Seu argumento era que um paciente pode arcar com um tratamento odontológico de R$ 1.000 parcelado em dez vezes, mas desiste quando tem de pagar à vista ou em apenas duas vezes.

A resposta foi positiva e Campos abriu uma empresa chamada Vital Cred e começou a oferecer pagamentos por meio de carnês e cartão de crédito utilizando um call center para autorizar as operações. Ele conseguiu mais clientes e passou a vender a proposta para outros dentistas. Em 2008, conseguiu um acordo com a Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas e fechou o ano com 1.200 clínicas usuárias do sistema.

Divulgação
Márcio Campos, fundador da PagPop, empresa de meios de pagamentos
Márcio Campos, fundador da PagPop, empresa de meios de pagamentos

MUDANÇA PARA CRESCER

Apesar desse cenário promissor, em 2010 tudo mudou de figura: o mercado de cartões quebrou a exclusividade de captura entre as bandeiras Visa e MasterCard e as credenciadoras Cielo e Redecard, respectivamente. Com essa mudança, uma maquininha de cartão passou a aceitar várias bandeiras, o que poderia desestimular as pessoas buscarem o serviço de Campos para ter mais opções de recebimento.

Em vez de pensar em desistir, Campos resolveu parar a odontologia e se dedicar exclusivamente a sua empresa de pagamentos. "Achei que seria pisoteado pela concorrência, então fui me preparar e procurei uma aceleradora de negócios", lembra.

Em 2011, ele conseguiu ser aceito na aceleradora 21212, do Rio de Janeiro, e passou por uma série treinamentos e consultorias para aprimorar seu negócio. Sua intenção era obter ajuda de investidores e aumentar a escala de seu negócio. No começo de 2012, a empresa mudou o nome, para PagPop, e expandiu os serviços para outros tipos de empresas e profissionais.

A estratégia deu certo: em 2011 ele tinha 4.000 clientes e, no final de 2012, chegaram a 24 mil. A empresa também conseguiu receber aportes dos fundos da Intel Capital, Cetus Investimentos, Grupo Maubisa e Grupo Cisneros e atrair profissionais do mercado e formados em instituições como a Universidade Harvard.

Segundo Campos, essa virada foi possível, entre outros motivos, pela aposta em um negócio mais amplo e com proposta de inclusão. "Decidi não brigar contra grandes operadoras, mas aproveitar uma demanda grande que descobri no consultório. Hoje atendemos pessoas como revendedoras da Natura, taxistas e profissionais liberais", diz.

A estrutura da PagPop tem hoje 40 funcionários e faz transações por cartão de crédito pela internet, celular comum, telefone fixo e smartphone.

PREPARAÇÃO ANTERIOR

Até antes de ser dentista, aos 19 anos enquanto ainda era estudante, Campos chegou a ter uma empresa de palestras sobre prevenção contra doenças e uma pequena editora. Por questões de inadimplência, o negócio faliu, mas hoje ele considera que essa foi uma experiência muito importante para o crescimento da PagPop.

"Com essa empresa, eu tive uma experiência de fracasso, vi que erros poderia evitar. E trabalhando como palestrante também peguei gosto por falar em público, algo que foi muito útil depois para negociar os investimentos que recebi", destaca.

Ele abandonou completamente a odontologia, apesar de sentir saudade, mas também diz ter aprendido lições valiosas sobre como vender uma ideia e do dia a dia de um negócio.

Há dois meses, a PagPop foi aceita como integrante da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), para sentar ao lado de tradicionais empresas do setor, o que causou uma situação engraçada. "Perguntaram, brincando, na reunião de associados: 'O que esse dentista está fazendo aqui?'".

 

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