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28/07/2013 - 02h30

Plataformas de vaquinha virtual crescem e se especializam

FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

Com o sucesso e o crescimento das campanhas de "crowdfunding" (uma vaquinha coletiva pela internet), essa maneira de conseguir dinheiro ganhou plataformas específicas para cada tipo de projeto.

Existem, por exemplo, os modelos de doação ou de recompensa -em que o internauta pode receber algo em troca pela ajuda, como um produto ou um agradecimento nos créditos de um filme-, de "equity" (compra de participação em empresas) e de empréstimos.

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No Brasil, por enquanto, só há o primeiro tipo. Uma plataforma em que usuários poderão se juntar para se tornarem sócios de companhias iniciantes deve ser lançada ainda neste ano.

O modelo de empréstimo tem um entrave legal no país, já que só as entidades financeiras podem atuar nesse mercado.

Divulgação
Mateus Bagatini com prateleira para bicicleta que desenvolveu com dinheiro arrecadado em site de 'crowdfunding
Mateus Bagatini com prateleira para bicicleta que desenvolveu com dinheiro arrecadado em site de 'crowdfunding'

Mas mesmo aqui já se vê uma certa especialização nesse tipo de serviço -há sites somente para trabalhos de música, de esportes, de organizações não governamentais. Há ainda uma só para financiar projetos que possibilitem que o doador abata parte do Imposto de Renda.

O Benfeitoria, que em dois anos viabilizou 55 projetos, em um total de cerca de R$ 1 milhão, aceita propostas de todos os tipos, mas elas precisam "gerar uma transformação ou um impacto positivo", diz o porta-voz Dorly Neto, 22.

A Juntos só está aberta a organizações sem fins lucrativos ou, mais recentemente, a pessoas físicas que têm projetos sociais.

O fundador Ariel Tomaspolski, 29, conta que a ideia dos sócios é ser uma ONG que ajuda outras ONGs a captar recursos.

Quem contribui para alguma campanha não recebe nada em troca, como acontece em plataformas generalistas.

Em muitos sites de "crowdfunding", o desenvovimento de um projeto acaba funcionando como uma pré-venda.

Uma empresa que precisa de dinheiro para desenvolver um produto pede verbas para isso e, quando o termina, envia o item para quem o financiou.

A campanha mais ambiciosa de pré-venda até hoje está no ar atualmente no site Indiegogo. Para desenvolver um novo smartphone, chamado Ubuntu Edge, a empresa norte-americana Canonical pede U$ 32 milhões (R$ 72 milhões). A 25 dias para o fim do prazo foram arrecadados U$ 6,6 milhões (R$ 14,85 milhões).

A dupla de designers Camila Arantes Dias, 32, e Mateus Bagatini, 26, foi bem-sucedido em uma campanha parecida de pré-venda, mas mais modesta.

Eles fabricam uma prateleira para bicicleta e, para começar a produção, fizeram uma campanha na web. A meta era de R$ 9.000.

Se o objetivo do projeto não fosse alcançado, as pessoas que desembolsaram dinheiro pela prateleira ou pelos outros produtos relacionados, como botons, camisetas etc., receberiam o valor de volta. E, se o projeto arrecadasse o suficiente, a prateleira só chegaria depois de meses.

Dias conta que foi difícil explicar aos clientes em potencial o conceito da pré-venda. "Perguntavam-me se só dariam o dinheiro, em troca de nada".

Na verdade, quem pagasse R$ 350 receberia o produto. A dupla vendeu 15 unidades. No fim, a dupla arrecadou R$ 10 mil.

Outro item que só foi viabilizado com uma campanha de "crowdfunding" foi a impressora 3D da empresa Metamáquina.

O diretor operacional, Rodrigo Rodrigues da Silva, 27, relata que a organização conseguiu R$ 30 mil para começar a fabricar o equipamento. "O dinheiro nos ajudou e a comprar peças e ferramentas para girar a máquina."

Foram nove impressoras 3D vendidas durante a campanha, que aconteceu no primeiro semestre de 2012.

Mas, nas semanas seguintes, apareceram outras pessoas que queriam o produto, relata Silva. "A campanha de 'crowdfunding' teve efeito de marketing."

COMPRAR COM AFETO

Esses casos de financiamento não são simples comercializações, argumenta Diego Reeberg, 25, sócio do Catarse, a plataforma de "crowdfunding" que mais arrecadou dinheiro no Brasil (na última semana eles atingiram a marca de R$ 9 milhões financiados).

"É uma relação com mais afeto do que só o consumo linear. E, diferentemente de um projeto de 'crowdfunding', que pode não se viabilizar, a pré-venda acontece necessariamente."

O Kickstarter, uma das mais famosas plataformas de financiamento coletivo do mundo, resolveu adotar algumas regras para que o site não virasse uma loja on-line.

Eles proibiram, por exemplo, ilustrações de como será o produto que está sendo criado. Só se pode mostrar o que já existe de fato.

Foi o Kickstarter que o cineasta Spike Lee escolheu para financiar um novo filme.

Para dar certo, o projeto dele precisa arrecadar U$ 1,25 milhão (R$ 2,8 milhões).

No Brasil, o caminho mais tradicional para arrecadar fundos para um projeto cultural é por leis de incentivos, afirma Erick Krulikowski, da iSetor, consultoria especializada em captação de recursos em cultura.

Zé Carlos Barretta/Folhapress
André Melman usou fundos da multidão e de empresas para produzir o documentário Eu Maior
André Melman usou fundos da multidão e de empresas para produzir o documentário Eu Maior

O filme "Eu Maior" usou ambos os mecanismos: dinheiro de empresas por meio da Lei Rouanet e R$ 200 mil que vieram de uma campanha de "crowdfunding" que os produtores fizeram pelo site que montaram.

André Melman, 38, um dos produtores, conta que foi mais fácil convencer as corporações a investir no filme depois de captar recursos pulverizados entre interessados no espetáculo

Ao pedir dinheiro, a equipe do filme deu o suporte aos interessados que quisessem usar as doações para abater uma parte do Imposto de Renda -mesmo as pessoas físicas podem fazer isso.

Esse é o princípio da plataforma Partio, um site só com projetos que o Ministério da Cultura autorizou a captar recursos em troca de abatimento de impostos.

Fabio Braga/Folhapress
Rodrigo Rodrigues da Silva é um dos sócios da Metamáquina, uma empresa que faz impressoras 3D
Rodrigo Rodrigues da Silva é um dos sócios da Metamáquina, uma empresa que faz impressoras 3D
 

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